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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hidrelétricas terão saldo negativo na geração de energia em 2016, diz entidade



Depois de dois anos de seca, as hidrelétricas do Brasil devem continuar com saldo negativo de geração de energia em 2016, devido à necessidade de recuperar reservatórios para garantir a segurança do suprimento, afirmou nesta sexta-feira (9) um especialista da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A projeção, no entanto, é de que o a baixa seja menor, entre 1,6% e 3,1%, segundo a CCEE, ante um saldo negativo esperado de 15,4% este ano e de 9,3% em 2014.
"Esse déficit é bem pequeno, e está um pouco influenciado pelo despacho térmico, que pode avançar nos primeiros meses de 2016 para que se possa recuperar os reservatórios", disse à agência de notícias Reuters o gerente de preço da CCEE, Rodrigo Sacchi.
Configura-se um déficit quando as hidrelétricas geram abaixo da garantia física, que representa o montante de energia que as usinas podem vender no mercado de eletricidade.
A produção das hidrelétricas, no entanto, pode ser ainda menor caso o Brasil não receba chuvas favoráveis no período úmido, que vai de novembro a abril.
A CCEE projeta que, nesse caso, seria necessário manter as térmicas ligadas por todo o ano de 2016, o que faria o saldo negativo das hidrelétricas alcançar 11,4%.
"Esse é um cenário menos provável de ocorrer, mas temos que avaliar essas premissas também", apontou Sacchi.
A CCEE espera um período chuvoso mais próximo da média em 2015 e em 2016, depois de duas temporadas em que as chuvas nos reservatórios das hidrelétricas ficaram abaixo do esperado e o país chegou a ficar próximo de um racionamento de energia.
Na quinta-feira (8), os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, que concentram a maior parte da capacidade do país, estavam com 31 por cento de armazenamento, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O déficit de geração das hidrelétricas tem motivado uma guerra judicial no setor elétrico neste ano, com diversas geradoras tendo obtido liminares para evitar novos prejuízos com a seca.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negocia um acordo para compensar parcialmente as empresas em troca da retirada das ações judiciais, mas nos últimos dias cresceu o pessimismo quanto a um final breve para o imbróglio.
O acordo em negociação também altera as regras e transfere para o consumidor de energia os riscos de eventuais perdas com déficits de geração das hidrelétricas que sejam registrados a partir de 2016. Em compensação, o consumidor também perceberá efeitos positivos quando as usinas produzirem mais que o previsto.

 

 

Fonte: Reuters  

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